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por jorge c., em 11.09.15

Uma visão turva da memória imprecisa, indefinida. Talvez estivesse nevoeiro. O televisor a preto e branco desligado. Depois, um telefonema: o mundo está a cair. Em Santiago, as últimas palavras de Allende na rádio a preto e branco: "El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse." Aviões por toda a parte, um ruído ensurdecedor. Acende-se o televisor a preto e branco e os aviões embatem nas torres. Updike escreveria mais tarde "the false intimacy of television", no seu apartamento em Brooklyn, a ver o fumo sobre a cidade. Um homem voa. Talvez Allende "El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse". Outros corpos caem como lágrimas do céu. ¡Viva Chile! "de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor." A humanidade toda, de Santiago a Nova Iorque, nós atrás de um televisor a preto e branco, os corpos dos outros, outro sangue derramado, a humanidade toda, impotente, sem esperança. "de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre." Os dias e os anos passaram. Reabriram-se avenidas. Vieram as cores, as fotografias de Brooklyn Heights e de Santiago. A falsa intimidade da internet. 

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