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Já se cuspiu mais sangue do que vómito na noite de S. João. Histórias antigas resolvem-se na noite maior dos excessos. Foi sempre assim. Lembro-me ainda dos desacatos simples: os carros cercados, os empurrões e os gritos a forçar o beijo entre os tripulantes; o assédio à miúda errada; a cerveja entornada por cima do tipo errado; um sócio que não dispensa um cigarro nem vinte paus. Uma vez, em S. Bento, o campo de batalha era toda a praça, formando-se não uma multidão, mas círculos de hooligans como nos concertos de metal que naquela altura se faziam no parque de exposições, do outro lado do rio. Um dia, dei por mim a acordar na praia no meio da ressaca da vida. À volta, a manhã ainda fumegava resíduos de violência, entre descargas de esgoto e de estômago. Ninguém parecia estar em condições de prosseguir a vida como se nada fosse, excepto o casalinho que encontrara o amor durante a noite e que continuava a conversar na descoberta do novo dia, do futuro a dois, quem sabe - outras manhãs sem que ninguém por perto seja visto a cuspir sangue ou bílis. As marcas profundas das coisas esquecidas arrastavam-se pelos passeios e as pastelarias enchiam-se de zombies esfaimados que, no regresso a casa, ostentavam orgulhosos a resistência à noite derradeira. 

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