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da personalidade

por jorge c., em 01.12.15

Anthony Giddens definiu dois estádios que influenciam a vida do homem em sociedade. Chamou-lhes Sociabilização Primária e Secundária. A Primária será a fase da primeira infância, a educação de casa, o convívio com um círculo mais restrito. A Secundária, a fase de crescimento mais autónomo, com o alargamento do convívio e, logo, da percepção do mundo.

Não sendo eu sociólogo, nem tendo pretensão de falar sobre uma disciplina sobre a qual tenho um conhecimento muito vago, pensava nisto ontem enquanto observava um conjunto de reacções com padrões semelhantes num número alargado de indivíduos. De facto, as redes sociais virtuais permitem, hoje, uma ampliação invulgar do fenómeno sociológico e serão, certamente, um instrumento interessante de estudo. Não me competindo essa tarefa, reparo apenas em padrões, alguns padrões de indivíduos que conhecemos numa determinada altura da vida e que por obra dos algoritmos voltámos a encontrar. Será a mesma pessoa?

A questão tem tanto de filosófica quanto de sociológica. Na verdade, a formação da personalidade não pára, existindo, aliás, uma fase que me parece ser determinante na vida de qualquer indivíduo - a autonomia financeira e uma consequente percepção desse mundo novo que nasce não apenas com a responsabilidade, como também com novas relações provenientes da relação laboral, ou outros círculos que sobre ela gravitam. 

Na fase a que agora me refiro, não é invulgar que qualquer um de nós redefina o seu círculo de amizades, adaptando-o aos seus interesses, aos seus valores mais solidificados e à sua visão da própria vida em comunidade. Enquanto que na fase infanto-juvenil (e até universitária) não podemos garantir que o grosso das amizades sejam escolhas voluntárias, por estarem limitadas por obrigações perfeitamente circunscritas, o modelo de vida construído a partir da autonomia financeira permite uma maior liberdade de escolha.

Talvez possamos chamar a esta fase de Sociabilização Terciária. E talvez seja esta que nos pode ajudar a compreender certas características que, por vezes, nos parecem incoerentes ou, até, inexplicáveis. 

As próprias escolhas políticas, culturais e de consumo, ou a mera relação com o outro, dificlmente se manterão as mesmas a partir do momento em que o indivíduo é confrontado com uma nova relação de responsabilidades, de hierarquias e de cidadania. 

Por outro lado, talvez nada disto faça qualquer sentido e seja só uma tentativa desesperada de auto-justificação. 

 

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