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entre a terra e o céu

por jorge c., em 30.12.14

O que fica na memória não se manifesta no imediatismo do tempo. A matéria que a alimenta é lânguida e a sua luz uma estrela rara. Para ser memória tem de ser tempo. Dentro desse tempo, entre a terra e o céu, estão a realidade e os sonhos. E porque os sonhos são a memória da imaginação, que é cúmplice do real, os registos são meras formalidades. O ano civil representa pouco na nossa relação com o universo, não obstante os breves episódios transcendentes como a morte, o amor, a ebriedade, a manifestação artística ou a descoberta. A cultura da novidade per si está a transformar o mundo num lugar vulgar, mais pobre e menos consciente. Quando um indivíduo resolve anotar as suas preferências numa folha de papel em padrões de 10, no fim de cada ano, está a limitar-se e a impedir-se de perceber o que, de facto, há de novo nele e como o mundo se transformou perante os seus olhos. O ano que agora termina foi igual a todos os outros mas as revelações - essas sim - foram diferentes. Na borda d'água vi o reflexo das cores, ouvi as sonatas para viola e piano do Shostakivich e, de certo modo, fui celebrando a vida entre a angústia, o tédio, a alegria e o entusiasmo das ideias, do amor e de todos os sentidos. Viajei entre a terra e o céu algumas vezes e foi na memória que encontrei a justificação para tais viagens. No fim de contas, sou um balanço de mim mesmo.

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