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o tempo das formigas

por jorge c., em 18.07.16

Todas as virgens do meu bairro deixaram de o ser sem que eu tivesse dado por isso. E tal como as virgens e os virgens, a vida no bairro foi crescendo comigo, tomando passos tantas vezes divergentes, e assim nos fomos separando. Ficou na memória um tempo de cumplicidades, de íntima relação com os muros das casas, com os bancos dos jardins, com a virgindade de todos os elementos que compunham o bairro e que com ele pareciam estar sempre a preparar as férias. Mas no Verão de 95, demoliram a casa do lavrador e todo o terreno foi ocupado por máquinas de construção. Durante esses dias, desapareceram os pessegueiros e as ameixoeiras, e com eles as raparigas de vestidos de algodão e o cheiro frutado dos corpos. Desapareceram também os formigueiros por detrás dos muros do prédio da minha infância que anunciavam o início do campo, quando trepávamos à descoberta do dia. Quando mudámos de casa, já não havia sinais da minha infância. As raparigas já não eram virgens e os rapazes eram tontos profissionais, ansiosos pela adultícia. Nos anos em que vivi sozinho nessa memória, descobri três ou quatro pormenores que ainda hoje, atravessando as mais elementares leis da física, me permitem viajar no tempo.

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