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uma cultura de alheamento

por jorge c., em 02.03.16

A civilização ocidental associou a legitimidade da opinião à ideia de liberdade de expressão. Uma vez que há matérias da realidade que são factos, não estão sujeitas a opinião, que é uma manifestação de subjectividade, limitada à experiência e às preferências do indivíduo. De certo modo, parece que se gera uma confusão entre a escolha e a projecção dessa escolha em todos os movimentos do mundo. A escolha do indivíduo é legítima, não a projecção para o resto do mundo. Mas a cultura do solipsismo instalou-se de tal forma que a opinião infundada é assumida como legitimadora de coisas tão distintas como o juízo sobre os outros ou os comportamentos quotidianos simples, como a forma como nos deslocamos na rua ou como prestamos, ou não, atenção ao que nos rodeia. O indivíduo que pára no meio do passeio e interrompe a circulação dos demais não é um individualista mas, antes, um solipsista que ignora voluntária ou involuntairamente a dinâmica do mundo. Aquele que ignora o conhecimento científico em benefício da sua própria experiência para emitir juízos tem mais de solipsista do que de ignorante. Muitos destes comportamentos vão ao encontro daquilo que o indivíduo entende como opinião, ou seja, a sua percepção do mundo. A cultura do solipsismo poderá, então, ser vista como uma cultura de alheamento e, como tal, de desintegração social. Ou, se quisermos ser mais fatalistas, pode conduzir ao fim da comunidade como a conhecemos.

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