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os dias comuns

por jorge c., em 30.04.18

Tenho pensado em deixar de fumar, mas depois de ler uma referência de Zizek sobre A Consciência de Zeno, de Italo Svevo, fiquei irritado com esses juízos de coragem e liberdade e prometi não voltar ao assunto, convicto que estou das limitações a que me sujeito por existir. Aliás, os meus dramas sobre liberdade começam logo pelo facto de querer estar noutro lugar, que não este. Por exemplo, decidi que quero viver no Maine, mais precisamente em New England, mas sei que não passa de um sonho. Não vou deixar de dormir por causa disso e, para já, admito a possibilidade de ficar aqui para sempre (um horror!).

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Ontem estivemos em casa do T.N.. A R. foi mordida pelo cão logo à chegada e toda a nossa confiança no mundo ficou mais cautelosa. Isto levou-me a pensar na relação que temos com os bichos. Estamos demasiado convencidos de que a domesticação é um instrumento absoluto de controlo ou de manipulação e não de relação de dependência ou de poder, como, verdadeiramente, o é. 

Entretanto, usámos o grelhador pela primeira vez, este ano. Voltei a ficar nostálgico, o que é uma maçada. Tenho memórias daquela vila, o que significa que há uma ligação entre essa época e hoje que foi quebrada. E se calhar a nostalgia é isso mesmo: a incapacidade que tivemos de manter a vida como ela era.

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Reparei que deixei de ser convidado para aniversários ou outros eventos sociais. A vida na borda d'água afastou-me. Mas fico a pensar se deixei, de facto, de ser convidado, ou se essas festas deixaram de se realizar. Seja o problema meu ou dos outros, é sempre caso de preocupação. Alguma coisa não está como seria desejável.

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Tenho andado a ler os diários de José Gomes Ferreira, Dias Comuns, que me têm custado uma fortuna. Fiquei espantado com o preço dos livros, este ano. Não creio que seja possível cultivar o acesso à cultura com estes valores. Dezassete euros, o último volume. Também uma coletânea de poemas do Philip Larkin, da Faber & Faber, custou-me mais de quinze euros. Preciso de roupa e assim é difícil. Por isso, decidi voltar a escrever no registo de diário, para que depois possa ler qualquer coisa de graça. Não sei se me tolerarei como crítico, mas é ao que estamos sujeitos.

 

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quem te quebrou o encanto nunca te amou

por jorge c., em 18.04.18

São as fotografias antigas dos amigos que não conheci em novos que me inspiram, agora, a nostalgia. Sinto saudades pela sua juventude, pela alegria nos seus olhos, no riso, na intimidade dos gestos com outros que desconheço. Nas fotografias dessa juventude é sempre primavera ou verão. Ouve-se a música a respirar e há uma imensa luz. É então que me lembro da minha pele ao sol no recreio da escola e do cheiro das hormonas. A música nunca era triste. 

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