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economato ou a morte lenta

por jorge c., em 24.07.15

Contra o silêncio, as máquinas trabalham com o escritório vazio. Não está cá ninguém. Estou eu. E a mulher da Tesouraria, também ela contra o silêncio. Entrou na sala e depositou um papel numa outra mesa, o que poderia ter feito em silêncio. Falou. Disse "ora aqui está". Mas não era para mim. Saiu da sala e voltou a falar. "Que tempo! Está abafado!". Falava sozinha. Acrescentou ainda algo. Não ouvi. Contra o silêncio, as máquinas inquietam-se. O telefone de um dos gabinetes ao fundo do corredor ainda não parou de tocar. Talvez devesse lá ir. Talvez devesse atender. "Silêncio", pediria. Agora é o estafeta que entra. Contra o silêncio, mete conversa. Não respondo, não me manifesto. Não faço nada. Evito o ruído e, mesmo assim, nada me devolve o silêncio. Morro de um tédio nervoso. 

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