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requiem por tomás

por jorge c., em 25.08.14

Quando as pessoas estão vivas, a nossa esperança de as encontrar, ou de que partilhem connosco as suas singularidades, é legítima. A admiração que lhes entregamos também nasce da sua generosidade. Porém, o culto da personalidade e o mistério têm a medida do alcance dos indivíduos. Olhos que não vêem, coração que não sente, como sói dizer-se. A ti, José Tomás, vejo-te como um fantasma do passado. Para te admirar os movimentos sublimes, recorro aos mesmos meios que uso para ver Rafael de Paula, Antoñete, Camino ou Joselito. És um toureiro indiferido. Como posso admirar um toureiro do meu tempo, se não me dá a oportunidade plena de o fazer, colocando a fasquia na capacidade económica do aficionado e na raridade do evento? Como posso eu considerar melhor ou pior um toureiro de uma época, se a sua presença é tanta como a de Manolete ou Cordobez? Não há nenhum matador de toiros que conheça a glória sem público. Não há glória se o espada não se expõe e não aceita o desafio, percorrendo o mundo. Só é toureiro quem toureia. Por isso, aqui me despeço de ti, José Tomás. Não me faz mais sentido defender-te num tempo quando estás, para mim, noutro tempo. Despeço-me da emoção falsamente imediata de uma contemplação extemporânea. Só o passado admite as lendas. O presente é dos vivos. 

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