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verão

por jorge c., em 25.06.15

nem toda a sombra é escura

nem todo o raio de sol ilumina

a sombra passa a ser frescura

quando a luz na pele fulmina 

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lei e poesia

por jorge c., em 20.05.15

A lei e a poesia são sofisticadas. Distinguem os elementos, relacionam possibilidades infinitas, aprofundam a simplicidade e espalham-na em partículas finas de camada quase imperceptível. A lei é poesia e a poesia é tudo. E a isto chamamos, então, civilização.

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utopia do sossego

por jorge c., em 26.04.15

Lá longe, onde a ambição se transforma em sonho, esse lugar que provoca impressões na barriga e reaviva o bater de perna impaciente de criança, vejo um bosque, tudo verde, talvez mar e rochas e falésias, talvez ilha, talvez monte; vê-se uma casinha e sente-se o cheiro do café da manhã, os cães ou os gatos preguiçosos, os jornais, os livros por começar e os edredons desarrumados, um braço estendido sobre a cama, adormecido, leve, suave, como se todos os dias fossem domingo.

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um problema de abstracção

por jorge c., em 08.04.15

Estou a sofrer as consequências do Realismo, como quem perde faculdades pelos excessos da vida. As horas passam e a ideia do poema fica a moer no rancor e o poema não floresce, maior do que a vulgaridade, maior do que o ressentimento. Não há imagem para a angústia que não seja somente melancolia banal. Não há nada que transcenda a melancolia e revele a angústia com um rasgo de tragédia. 

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o dia da morte de herberto helder

por jorge c., em 24.03.15

Ficámos órfãos de poetas. Restam-nos os livros e os versos latentes que são como uma adição da influência que se perpetua no caminho da nuca para a língua. Perdemos a certeza do corpo presente que guarda a dignidade do mundo - as barbas, os gatos, os olhos das coisas intangíveis, isolados do excesso de tangibilidade de todas as outras coisas. Ficamos agora à superfície, a boiar sobre os abismos, ignorando as suas profundezas e o fogo que nasce dentro da Terra. Enterramo-nos vivos.

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frame

por jorge c., em 28.01.15

Dois homens moderados, parados numa longa avenida, conversam sob um céu de azul plácido. Os prédios reflectem a luz tépida do sol do crepúsculo. É o fim de janeiro e dois homens moderados conversam entusiasmados sob o olhar apressado dos carros. Nos prédios da longa avenida não se vê ninguém, só a luz tépida do sol do crespúsculo a reflectir nas janelas, como se fosse uma manhã de junho. 

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subúrbio

por jorge c., em 12.12.14

Segue João com o sapato novo, novinho a estrear, pela rua fora, todo vaidoso. E dizem os outros homens "lá vai o vaidoso do João, de sapato novo, deve andar cheio dele para andar a passear". E vai mesmo vaidoso, olhem para ele, fim do dia que o patrão deu, de folga - um mãos largas - que a chuva não é boa para a obra, só o dinheiro faz falta, mas que se foda, só desta vez, que também merece o brilho do sapato novo porque com ele brilha o olho e o espírito. E agora sobe o João até ao bairro bem lá no alto, a cidade cá em baixo, retiro do bom na tarde invernosa, no calor do peito de Vanda, de amor e sapato novo. Na cabeça do autor, ouve-se Futecêra D'Cor Morena do grande Travadinha. E foi tudo poesia.

 

 

para s.

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à memória de federico garcia lorca

por jorge c., em 19.08.14

Pelas duas da manhã, em ponto, talvez. Nenhuma hora é certa para morrer num teatro sem paredes, praça sem arena ou dignidade. Federico caía morto, matado, como um pedaço de nada. Não houve combate, nem sequer desafio. Os disparos sobre o poeta que viu Nova Iorque e que admirou a paixão e a coragem dos homens, da Andaluzia para o mundo, no meio dos silêncios, foram a toada trágica, a descida do pano derradeiro. As palavras ficaram escritas pelas ruas das cidades como uma tatuagem. Toma esta valsa de boca fechada. Toma esta luz de coração inquieto. Somos o teu peito, Federico, aquilo que resta da humanidade.

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manual das boas práticas urbanas

por jorge c., em 25.07.14

Beba com moderação.

Evite falar alto ou expressar emoções em público. 

Guarde a sua opinião para momentos apropriados, sem nunca se comprometer.

Sorria com discrição e calculismo.

Identifique aqueles que lhe poderão ser úteis, ainda que não compreenda como (não perca tempo com o resto).

Escolha música sofisticada e recorra a valores seguros quando tiver a certeza que, à época, não eram excessivamente populares.

Seja elegante e observador na mesa. Utilize os gestos para acompanhar as suas palavras com confiança. Não esbraceje.

Leia mas, não desperdice o tempo com lirismos. Seja prático e alimente a confusão entre organização e soluções milagrosas - chame-lhe inovação.

Tome atenção aos lugares comuns - não seja vulgar. 

Fale da sua actividade profissional com evasivas. Sugira que lidera na sombra. 

Seja cauteloso e misterioso nas redes sociais. Confira o texto nunca menos de cinco vezes antes de o publicar.

Esteja descontraído e, quando for cagar, lave-me bem essas mãos.

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